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Jornal de Negócios por C-Studio

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Cidades dos 15 minutos ou a pirâmide invertida

Créditos: Mathieu-Delmestre

Cidades dos 15 minutos ou a pirâmide invertida

Há um novo paradigma de mobilidade a ser posto em prática, que vem alterar profundamente a forma como vivemos nas nossas cidades e onde o tempo é a medida padrão.

São seis as dimensões universais que estruturam as cidades: habitação, formação/educação, consumo, trabalho, saúde e cultura. E são 15 os minutos que devem demorar a aceder a qualquer uma destas necessidades, a partir da porta de casa. Esta é a cidade ideal proposta pela primeira vez em 2015, na COP21 – o encontro das Nações Unidas que deu origem aos acordos climáticos de Paris – por Carlos Moreno, urbanista, professor associado na Paris IAE – Panthéon Sorbonne University em França, cofundador e diretor científico da Cátedra Empreendedorismo – Território – Inovação (ETI). “Quando propus este novo modelo disseram-me que era muito interessante, mas que era difícil garantir a possibilidade de trabalhar perto de casa. Seis anos depois, com o impacto da pandemia, já percebemos que há situações, como o teletrabalho, que tornam isso possível. Alterámos, efetivamente, a nossa vida urbana”, diz Carlos Moreno, numa entrevista dada recentemente ao ActivoBank. Lembra que cidades como Paris, Milão, Buenos Aires e Bogotá propuseram alternativas para continuar depois da pandemia. “Os habitantes estão muito contentes com este novo estilo de vida, pois descobriram que, em vez de gastarem duas horas a ir e vir do trabalho, usam este tempo de uma melhor forma.” Na realidade, garante que esta foi a grande revolução provocada pela pandemia: as pessoas descobriram a importância do tempo útil, para viver de forma diferente. “Temos a oportunidade de explorar a proximidade, o comércio local, de andar na rua, redescobrir espaços públicos e atividades culturais mais próximas.”

Uma questão de mobilidades

Mais do que “mobilidade”, Carlos Moreno alerta que precisamos de considerar “mobilidades”, ou seja, explorar diferentes formas de nos movimentarmos. “O mais importante é diminuir a nossa pegada de carbono e pensar numa nova pirâmide de prioridades. Em primeiro lugar, devemos andar a pé. Depois, ter a possibilidade de andar de bicicleta mecânica, ou mesmo elétrica, pois é uma forma fantástica de explorar e de andar numa cidade”, conta. Esta foi, aliás, a forma promovida pelo ministro da Saúde alemão como preferencial durante o período pandémico, já que não é poluente, assegura o distanciamento físico, liberta os transportes públicos de grandes aglomerações e é de uso individual. Outro exemplo: no último ano, na cidade de Bogotá, foram acrescentados 76 quilómetros de ciclovias temporárias; a Cidade do México tomou uma decisão semelhante; e, em Nova Iorque, foi implementada uma rede ciclável, de forma a promover o uso da bicicleta nas chamadas deslocações essenciais.

Para Carlos Moreno, em terceiro lugar nesta listagem de prioridades está a necessidade de se contar com uma rede de transportes públicos eficaz: o metro, o comboio e os autocarros. No final, na base da pirâmide, estão os carros, sendo que a primazia deve ser dada ao carsharing de carros elétricos. “Precisamos de eliminar os carros de combustível em percursos pequenos.” Lembra que a própria União Europeia já está a caminhar nesse sentido. O conjunto de propostas legislativas inseridas no pacote climático “Fitfor55”, que procura assegurar o cumprimento da meta de redução de 55% das emissões líquidas de gases de efeito de estufa até 2030, implica que todos os automóveis novos, registados a partir de 2035, devem ser de emissão zero. Isto significa que irão ganhar importância os veículos com motores elétricos. Ainda assim, o urbanista alerta: “Precisamos de lutar contra os condutores individuais e deixarmos de pensar que somos donos do nosso carro.”

Mudanças necessárias

Carlos Moreno é perentório: “com as mudanças climáticas, as cidades têm de ser sustentáveis. Durante muitas décadas, aceitámos o inaceitável: viver a uma grande distância do trabalho e com um grande valor dado ao transporte individual. Devemos dar prioridade a viver em espaços sustentáveis e a cidade dos 15 minutos é o novo paradigma para mudar a sociedade urbana. Precisamos de reconciliar a ecologia, reduzir as nossas emissões e pensar em seguir outro estilo de vida. Desenvolver as economias e os trabalhos locais, assim como a economia social. A cidade dos 15 minutos não é uma moda, é uma trajetória, um caminho. Não se chega lá com uma varinha mágica. É um mapa, um projeto ambicioso para alterar o nosso estilo de vida. Por um lado, trata-se de uma emergência, mas, ao mesmo tempo, é uma forma de lutar contra pobreza, desigualdade e exclusão social”, conclui.

Um apoio financeiro

As entidades bancárias estão cada vez mais despertas para esta realidade e o ActivoBank não é exceção. No âmbito da sua política de sustentabilidade, lançou recentemente dois produtos de crédito pessoal focados na eficiência energética e energias renováveis. O primeiro é o designado Crédito Pessoal EcoActivo, que se destina à aquisição de soluções mais eficientes do ponto de vista energético, nomeadamente de mobilidade, como as bicicletas, mas também de janelas e eletrodomésticos mais eficientes, assim como de eficiência hídrica, isolamento térmico, sistemas de aquecimento e de iluminação. O segundo, o Crédito Pessoal +Energia, destina-se a financiar a compra de equipamentos para produção de energias renováveis, como, por exemplo, os sistemas de produção e armazenamento de energia renovável para autoconsumo e pontos de carregamento de veículos elétricos. Estes dois créditos apresentam ainda a vantagem de permitir outras comparticipações de fundos nacionais, como o Fundo Ambiental.

Mas nem só de crédito estão as suas intenções feitas, já que a própria app do ActivoBank se apresenta como uma solução sustentável e acessível: reduz a necessidade de deslocações a um balcão, facilita a comunicação com o banco, tem todos os dados necessários disponíveis a qualquer momento no telemóvel e diminui a necessidade de impressões, reduzindo o desperdício de papel. Porque um futuro sustentável é uma obrigação de todos.


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